Anil

E mais uma noite fria reforça o cansaço do dia passado.

Vida vazia, tão fria quanto esta noite,

Vida sozinha, apenas servida como expectadora do mundo.

O passado retorna mais uma vez.

Assombra, corrói, dilacera!

Marca profundamente na pele como o anil da tinta.

Como conviver com essa lembrança?

A mácula permanece, a lembrança não se esquece,

E aos poucos a vida se esmaece.

De certo as forças se acabaram há tempos,

E agora o limbo reside no lugar dos sentimentos apagados pela dor.

A única memória é o anil que ainda resta nas mãos

E o frio, implacável, solitário e cruel.

Uma Nota Triste

Cheguei em casa depois de mais um repetitivo e monótono dia, com uma tremenda fome. Temperei um feijão, peguei aquele arroz queimado que sobrou dentro da geladeira, fritei um par de ovos pra acompanhar. Eu estava com fome,… Estava! Não estou mais.

Tem sempre um momento na vida de cada ser humano em que ele percebe o quão ridículas as atitudes de seus semelhantes podem ser. Digamos que esse “um momento” acontece pelo menos umas 3 vezes por semana comigo.

Comi minha comida requentada com bastante vontade, mas pensando longe, bem longe do cheiro do feijão. Havia algo que me incomodava, algo que não deveria estar ali.

O que não deveria estar ali é meu sentimento de tristeza e descontentamento por ter mais um sonho destruído pelas mãos de gente que pouco se importa com o que faço. E a partir daí a comida parecia estar mais difícil de se engolir, eu já não tinha mais a mesma fome, não tinha mais a mesma vontade de voltar ao computador e assistir um belo show de blues, muito menos de guardar minha guitarra que usei para tocar hoje.

Tem sempre o momento na vida de cada ser humano em que ele fica sem perspectiva, sem ter esperança, in

dignado com tudo e sem ter reação. E esse momento é hoje na minha vida. Esse momento é agora. Tudo começou com uma nota triste e tudo se esvaiu com uma nota triste..

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Gurus do Amplificador: Um desabafo de um aspirante a músico.

Sei que a proposta do blog não é bem voltada para esse tema, mas decidi abordá-lo devido a um recente acontecimento que me irritou bastante.

Queria tratar sobre os “Gurus do Amplificador” e os “Pseudo-virtuoses”.

O que são essas criaturas? Pense no seguinte: Digamos que você, caro leitor, esteja numa loja de camisetas e deseja comprar uma camiseta branca. O vendedor te exibe2 modelos de camiseta branca, uma mais simples e outra com uma pequena estampa da fabricante dela. A mais simples custa hipoteticamente 10 reais, e a com a logomarca custa 180 reais. A diferença entre as duas É SOMENTE a logomarca na segunda camiseta e obviamente o preço. Para justificar tal preço o vendedor irá tentar te empurrar a mais cara como sendo a de melhor qualidade, porque é mais famosa, tem renome, as garotas se interessam. Mas VOCÊ NÃO PRECISA DE MARCA E RENOME, quer apenas uma camiseta para usar. Qual das duas optaria? Vamos diminuir a diferença. Digamos que a simples custe 60 reais e a com a logo custe 75. Ainda mudaria de opinião?

Enfim, é esse o ponto. Recentemente um amigo postou em seu perfil do facebook que achou interessante um Amplificador de guitarra de determinada marca e pediu opiniões, já que essa marca não era muito conhecida por fabricar ESSE produto em específico. Obviamente e prontamente citei as qualidades do produto que eu já tinha conhecido previamente. Para as necessidades do sujeito, esse produto iria atender perfeitamente, mas, como nem tudo são flores e como todo comentário redigido por minha pessoa gera discórdia e flamewar, me surge um “entendido” no assunto dizendo para o cidadão as seguintes afirmações: “Por esse preço você compra um USADO da marca ‘Fodonis’ que é bem melhor, ou outro da marca ‘Pikadasgalaxias’ que tem mais pegada, esse amp ai que você viu além de caro é som pra tocar em Igreja”.

Primeiro ponto que saliento: O CARA NÃO SABE O GOSTO DO SUJEITO QUE PEDIU A OPINIÃO E MUITO MENOS A FINALIDADE DO AMPLIFICADOR! De que adianta dar uma Ferrari pro Seu Zé que vende leite de cabra na feira se pra ele uma carroça atende perfeitamente e não dá dor de cabeça?

Segundo ponto: FODÃO QUE É FODÃO TIRA LEITE ATÉ DE PEDRA! Já cansei de ver guitarrista de renome usando em seus sets de pedais, pedais de marcas duvidosas que eles SABEM tirar o proveito do lazarento para atender suas necessidades de maneira mais do que satisfatória. Cara que sabe usar o equipamento que tem, não precisa gastar fortunas em marca de boutique porque o equipamento dito “porqueira” pode surpreender, E MUITO, no que ele pretende alcançar.

Terceiro ponto: QUE PORRA DE PEGADA É ESSA QUE VOCÊ TA FALANDO MEU AMIGO? É uma mania escrota que algumas pessoas têm de achar que produto da marca tal que é famosa é melhor que marca menos conhecida ou que a guitarra da marca famosa dá mais “pegada” ou feeling do que a de marca “inferior”, ou que por ser de outra marca já não presta. Eu surpreendi muita gente com essas manias escrotas provando inclusive NA MINHA BANDA que é possível sim fazer um som bom com equipamentos ditos de segunda linha.  Óbvio que não estou dizendo que um de segunda é melhor que um de primeira, mas estou dizendo pra fazer o melhor com o que estiver ao seu alcance! As mina pira no som da minha Stratocaster genérica!

Quarto ponto: SOM DE IGREJA? TU SABE DO QUE TA FALANDO MEU AMIGO? [X2] (E a moçada pede bis) Novamente o cara comete o equívoco de julgar marca ao invés de desempenho e o pior, usa o termo “Som de Igreja” pra caracterizar o produto como menos potente e de distorção fraca. O amplificador que o meu amigo queria comprar inicialmente é MUITO BOM tanto usando a distorção dele, quanto usando um set de pedais avulso (que no caso ele já possuía e iria usá-lo). É a mesma coisa que perguntar qual é o melhor? Windows ou Linux? Apple ou Android? E outras tantas disputas ridículas, porque SEMPRE haverá um babaca defendendo marca tal ou produto tal apenas porque simpatiza com ele sem conhecer as reais funcionalidades da parada.

Mas o que tem os tais gurus e pseudos a ver com isso? Simples, os tais gurus NÃO ACEITAM DE MANEIRA NENHUMA que você contrarie a marca favorita dele, pois ele “conhece tudo o que há de se saber” sobre. Experimente falar para um fanático por Apple que você prefere um celular com Android porque o IOS não dá suporte ao Flash e veja por conta própria o início da Terceira Guerra Mundial. Já os pseudo-virtuoses são aqueles tipos de pessoas que seguem uma receita pronta pra tirar o timbre perfeito “like a fodão da guitarra”. Tem que usar guitarra da marca tal, Amplificador de marca tal nessas especificações, tais cabos que anulam interferência e uma infinidade de tópicos que às vezes acabam sendo irrelevantes. Tente contrariar APENAS UM item da lista e a resposta será sempre TA ERRADO PORRA, VOCÊ NÃO VAI FAZER IGUALZINHO A BANDA DERP THEATER!!!

O que isso acrescentou ao cara que pediu a opinião sobre o tal amplificador? NADA! Agora ele deve estar com mais dúvida, pois os sabichões da sonorização entupiram a mente do sujeito com marcas e mais marcas e preços e mais preços sem mostrar o real custo-benefício sobre o primeiro amplificador. E por sermos todos amigos do cara, em quem ele vai confiar?

Uma coisa cito para todos os músicos iniciantes, ou mesmo os que já tocam há algum tempo e estão em busca do “timbre perfeito”. Digo apenas o seguinte: EXPERIMENTEM! Se você gostar do som do tal “amplificador com som de igreja” e acha-lo adequado pra ligar um pedal de efeito e tocar DeathMetal, NINGUÉM PODE TE CONDENAR POR ISSO! Se você comprou a guitarra da marca menos conhecida, e que você achou confortável e com a pegada que você precisa, COMPRE-A NESSE INSTANTE, pois acredite, ela pode ter sido feita pra você!

Teste a guitarra, pedal, amplificador, baixo, ou seja lá o que for, experimente de verdade, e se gostar do som,  pouco importa a opinião de terceiros, pois o importante mesmo é a sua satisfação!

Encerro aqui meu pseudo-monólogo e deixo esse recado para os meus leitores músicos ou aspirantes, e para os metidos a entendidos TAMBÉM para que fiquem ligados que nem tudo é marca e nem tudo que te desagrade vá desagradar também ao ouvido do seu amigo.

E “Som de Igreja” é meu pau molhado batendo na sua cara até secar! PORRA!

O Preço de uma Vida: Capítulo 03 – Santos profanos, homens mundanos

Os capítulos anteriores podem ser vistos nos links abaixo:

 

Capítulo 03 – Santos profanos, homens mundanos

 

“Minha cabeça dói. Talvez seja aquele maldito conhaque vagabundo, talvez seja o ar carregado desta cidade.

Ou talvez seja simplesmente mais um problema que acaba de bater a minha porta.”

 

 

- Onde aquele maldito foi parar?! Ele não está mais aqui! Ei Ramón! Vamos, acorde seu infeliz! O forasteiro sumiu!

Certamente, não se via viva alma no irromper da manhã. Parece que Deus se esqueceu desta terra, ou que fez a total questão de dedicar todo o poder deste gigante amarelo sobre essa cidade. Mesmo de manhã já era notável o incomodo de se andar longe do abrigo da sombra.

Porém havia um ser que não se importava com esse fato. Caminhava em plena manhã como se nada mais importasse. O que é uma pequena rua comparada a um deserto? Seus passos soavam sozinhos. Um após o outro, e o ruído de suas botas contra o cascalho solto no chão. Onde esse forasteiro estaria indo dessa vez?

Ouço o bronze dos sinos da igreja soando. Várias batidas. “Bang! Bang! Bang! Bang! Bang! Bang! Bang! Bang! Bang!”. Já marcava nove horas no relógio da torre. E o homem de negro seguia adiante, em direção à entrada da igreja. Seu caminhar parecia cansado. Passos pesados sobre os degraus. Ele para por um instante, como se hesitasse, mas retira seu chapéu em sinal de respeito e adentra o local sagrado.

O interior era um pouco iluminado graças aos vitrais das janelas que permitiam a passagem da luz. Parece ser raro encontrar um lugar com luz elétrica nessa cidade. A igreja foi bastante castigada pelo tempo, e suas pinturas e artes sacras quase todas perdidas, salvo por uma ou outra imagem de santo ou um quadro aqui e ali que ainda era possível ver parcialmente sua imagem. Piso de pedra, concreto… difícil distinguir dada a idade do local. Alguns bancos quebrados jogados num dos cantos junto com alguns escombros do teto que caíram não faz muito, e duas fileiras grandes de bancos com aproximadamente uns 10 em cada fileira.

O forasteiro senta no ultimo banco a sua esquerda. Dá para notar que há alguém mais à frente no primeiro banco. Ao que parece é uma mulher. Sim, ela está ajoelhada, com um manto cobrindo seus cabelos e sua cabeça, algo muito incomum de se ver, já que as mulheres estão mais liberais quanto à religião nestes tempos modernos. Ela parece concentrada em sua prece, de cabeça baixa, pronunciando apenas sussurros inaudíveis. O homem não dá muita atenção à mulher, e continua a fazer seja lá o que ele foi fazer. O que será que ele procura? Redenção por pecados passados?  Aparentemente não dessa vez.

O forasteiro se manteve de cabeça baixa. Talvez ele apenas quisesse meditar, ou ficar sozinho em seus pensamentos. Mas nem tudo é perfeito. Ele começa a ouvir passos vindos em sua direção. Outro fiel quem sabe. Porém esses passos estavam bastante apressados, como se o indivíduo quisesse ver algo ou alguém lá dentro.

Um homem de aparência esguia, pouco mais de um metro e setenta de altura, trajando roupas brancas, aparentemente uma espécie de terno, e um paletó laranja. Usava um bastão como apoio e um peculiar chapéu-coco também branco. O homem caminhava a passos largos em direção aos primeiros assentos. Ele estava indo ter com a jovem que estava a rezar, isso era óbvio. Assim que ele se aproxima, puxa repentinamente o ombro da moça a fim de chamar sua atenção. Ao que parece eles iniciaram uma discussão, mas se ouvem apenas sussurros, como se comunicassem por seus gestos agressivos. Então o homem se senta, retira seu chapéu, levanta suavemente o manto da senhorita e fala algo em seu ouvido. Instantaneamente a garota se aquieta, se senta no banco e permanece de cabeça baixa enquanto o homem se levanta e sai em direção a porta. Ao sair, ele fita agressivamente os olhos do forasteiro como se quisesse fazer uma ameaça e vai embora.

Alguns minutos mais tarde o forasteiro decide se retirar. Ele se levanta e percebe que a moça ainda está de cabeça baixa. Talvez esteja chorando, mas não é da sua conta. Antes de sair ele mergulha sua mão em uma pequena bacia com água benta e faz o sinal da cruz, e assim se retira da igreja. Pelo badalar do sino já deve ser dez da manhã. Apesar do sol escaldante, os moradores da cidade começam a aparecer aqui e ali. É possível ver algumas crianças brincando de pique, outras correndo ou jogando bola, e as senhoras e mães desses meninos nas sacadas ou transitando pelas calçadas e conversando sobre a vida alheia. É o que resta numa cidade falida e caindo aos pedaços como esta, e basta um pequeno acontecimento para que tudo vire assunto na boca dessas senhoras como fogo jogado na palha seca. E este forasteiro não estaria livre das más línguas.

- Veja! Saindo da igreja! – Cochicha a senhora Adelaide com a sua comadre ao lado – É o tal forasteiro que o Garcia havia falado mais cedo. Olhe o tipinho do sujeito. Misterioso ele. Boa coisa não é, esteja certa disso Wanda!

E após este “pequeno grande” cochicho, parecia que as janelas de toda a rua se incendiaram com comentários, mas infelizmente dessa vez as senhoras não falaram tão baixo. Aliás, não falaram nada baixo. Como se quisessem que o homem as ouvisse destilando veneno. Mesmo assim o forasteiro seguiu seu rumo até o fim da rua sendo bombardeado com comentários.

“Venha já pra dentro Billy! Não quero você zanzando no caminho desse forasteiro!”

“Nossa, cada tipo mal encarado que tem chegado à cidade. Aposto que está trazendo confusão pra cá!”

“Ouvi dizer que ele tentou assediar a Delilah ontem na taverna do Garcia. Que ser repugnante esse homem é!”

O homem andava tranquilamente, não ouvindo absolutamente nada do que essas velhas murmuravam pelas janelas. Estava indiferente. Algo estava errado em sua mente. E algo estava errado também em sua barriga. A fome já atacava ferozmente este homem, e novamente a cantina do gordo Garcia parecia atraente. A essa altura, as fofocas das velhas ao seu redor eram irrelevantes. E assim o homem vai em direção à cantina.

- Olha só quem está de volta Ramón! – Grita Garcia por de trás do balcão em direção à cozinha – Nosso amigo misterioso, e que a propósito saiu sem pagar!

O homem simplesmente ignora Garcia e vai se sentar no mesmo lugar onde se sentara na noite anterior. O mesmo canto escuro, e novamente dá três golpes fortes na mesa a fim de chamar o cantineiro.

- Em que posso servi-lo novamente senhor? – Fala Garcia ansioso por receber o pagamento pela comida e bebida do dia anterior.

- Apenas me traga uma garrafa daquela urina de cabra que você tem a audácia de chamar de conhaque e um copo, e me diga onde há uma pensão nesse fim de mundo.

- Bom, a estalagem da Margareth fica na rua à esquerda no fim da quadra. Só seguir reto e não tem erro senhor. Espere que já trago sua bebida.

Rapidamente Garcia traz a garrafa e um copo em sua bandeja, a deixa sobre a mesa e se retira em direção ao balcão. Quando se da conta, percebe que o homem estava saindo pela porta segurando apenas seu violão em uma mão e a garrafa de conhaque na outra.

- Maldito! Saiu sem pagar de novo!… Opa, espera ai, o que é isso dentro do copo?

- O que é isso o que chefe? – Indaga Ramón sem entender nada.

- Não acredito! CEM DÓLARES POR TRÊS GARRAFAS DE CONHAQUE? Hahaha, parece que nosso forasteiro andou encontrando uma mina de ouro por ai! – Responde Garcia rindo em altos tons e sorrindo como criança ao ver que o homem havia deixado antes de sair.

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 2.300 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 38 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo